Consciência emocional

Existe um maior número de empresas que nas suas entrevistas pedem um requisito que vai em conta ao nosso desenvolvimento pessoal e que cada vez mais valorizam as nossas competências inter-pessoais. Estou a falar da capacidade de ter auto-consciência emocional. Para explicar o conceito desta aptidão, vou contar experiências que me ocorreram para tentarem compreenderem o que é, e porque ela é tão importante nos dias de hoje.

Um aprendizado

Certo dia estava em casa a trabalhar num projecto muito ambicioso e estava concentradissimo na tarefa que me tinha proposto. Quando me tinha ocorrido uma ideia fulminante naqueles segundos, a minha mãe entra me pelo quarto a dentro a perguntar se eu tinha lavado a louça que tinha deixado por lavar. Senti um ardor pelo corpo, pois tinha a perfeita noção que a minha mãe entrou numa altura um pouco pertinente e que fizera-me esquecer sobre a ideia para o qual eu estava a trabalhar. Senti me frustadissimo por ter me esquecido mas confiei na minha intuição e fui lavar a louça com esperança que pudesse me lembrar da ideia. Comecei por fazer uma auto-avaliação em mim mesmo, andei às voltas nos meus pensamentos, a questionar sobre o meu trabalho e a imaginar todos os meus passos que tinha feito, até que, a meio de limpar um prato, lembro-me da tal ideia. A minha intuição tinha razão, pensei eu. Depois de terminar de arrumar a louça voltei para o meu projecto. Tinha-me dado uma auto-confiança, um orgulho para continuar o meu projecto pois tinha a sensação que conseguia fazer melhor com a boa disposição que o tal feito me tinha dado. Uma energia capaz de me motivar e acreditar nos meus sonhos.

Mas, à uns anos atrás, eu considerava-me um aprendizado pela vida. Lembro-me perfeitamente, era agressivo e trapalhão a lidar com as tarefas e tinha bastantes impulsos sem se quer questionar-me ou ter a consciência do que estava a fazer. A energia do momento vinha e eu agia de acordo com o que eu sentia. Era incontrolável perante o stress que acumulava e prejudicava as relações à minha volta. Para compreender porque tinha tais atitudes, tentei analisar o que fazia face aos meus estados de humor e sabia que havia um desiquilíbrio emocional. Eu nao estava bem comigo proprio e tinha problemas em lidar com isso. Na altura, quanto mais pensava nestas dúvidas, mais dores de cabeça tinha, por isso deixei de ter o foco nestas questões e começei a concentrar-me em ter pensamentos positivos e viver as experiências do presente, sem ter que me consumir às crises existenciais.

Percepção das nossas emoções

Das nossas entranhas

Um dia, enquanto estava na cama a tentar dormir e chateado porque tinha de acordar cedo, por breves segundos ouvi a minha voz interior, aquela que nos faz companhia quando estamos sozinhos, a dizer coisas que me faziam sentir bem. Essa voz de tom suave e agradavel naquele preciso momento tocou-me na alma. Era como um guia e eu pude refletir e clarear os meus pensamentos. Estava confortável e bastante calmo. Foi então que percebi que essa voz era a minha intuição. A intuição para quem não sabe, é um acúmulo das nossas memórias quer sejam experiências, quer sejam sentimentos, que se relacionam através de processos sensoriais e de uma comunicação afectiva para nos ajudar a orientar e compreender algo que não sabemos, isto é, são processos que ligam a nossa racionalidade às nossas emoções através da empatia e que gera informações sempre positivas para lidarmos com o nosso dia-a-dia. Lembro me que das primeiras vezes que tentei aperfeiçoar a minha intuição, foi com a ajuda de uma grande amiga minha ligada à cristaloterapia, a Blue Sky e disse-me para eu fazer meditação. Ela orientou-me detalhadamente no meu desenvolvimento pessoal e espiritual e aconselhou-me para fazer todos os dias. Este tipo de meditação é definida por visualização criativa onde somos desafiados a olhar para o nosso interior e questionar aspectos cruciais para assim resolver questões sobre nós mesmos. Foi então que começei a avaliar todas as experiências que me tinham ocorrido quando estava irritado. "O que estou a sentir agora? Que nome dou a esta emoção? Qual é a situação que está a causar esta emoção? Qual é o meu pensamento sobre esta situação? De que maneira estou a agir por causa desta emoção? Que impacto tem este comportamento (comigo, nos outros, na minha vida)?" Foram perguntas que eu próprio fiz para compreender aquilo que eu sentia. Até dizia a famosa frase "Como é que eu não entendia isto?" Tinha começado a compreender que os meus comportamentos eram uma reflexão daquilo que eu sentia.Tudo o que podia pensar tinha efeito sobre aquilo que eu sentia e vice-versa. Tinha a noção que os meus sentimentos podiam controlar-me assim como os meus pensamentos podiam tomar posse das minhas emoções. Aprendi então o que era estar consciente emocional e que podia perfeitamente controlar os meus impulsos e os meus comportamentos apenas por racionalizar o que sentia e pensava, isto é, observar, analisar e compreender as minhas emoções, distinguir os meus sentimentos dos meus pensamentos e que consequências traziam para os outros.

São práticas imprescindíveis para utilizar e desenvolver esta competência emocional pois cada vez mais precisamos de competências pessoais para lidar com a adaptabilidade empresarial. A intuição aliada à consciência e à empatia torna-se um factor essencial para conseguirmos aprefeiçoar a nossa maneira de agir para adaptarmos às varias culturas organizacionais pois gera uma energia positiva e dessa energia, ganha-se motivação para trabalhar com mais harmonia e cooperação.