Empatia

Nos tempos de hoje existe cada vez mais uma propensão a perturbações mentais como a ansiedade, ataques de pânico, à falta de concentração e incompreensão. Para combater estes problemas, precisamos de ter consciência de qualidades importantes e tomar conhecimento que todos temos e que somos capazes de usa-las. Capacidades essas, como a empatia, a compaixão e a integridade, que devemos explorar ao longo da nossa jornada para lidarmos com o meio envolvente através do nosso desenvolvimento pessoal.É certo que cada vez mais, é muito dificil encontrar pessoas que estejam dispostas a compreender os outros. Requer um certo esforço e aqueles que o fazem tendem a fazê-lo com alguma manipulação e interesse. Perdemos a motivação e o interesse de comunicar com os outros. Acabamos deprimidos e isolados pela tamanha apatia que assola no mundo. Perdemos a esperança num mundo cinzento e que não nos traz nada de bom. Para lidar com isso é preciso respirar fundo, aceitar essa realidade e usar o nosso próprio auto-domínio, a nossa inteligência e conhecimento para escutar os outros plenamente com o intuito de compreender o que a pessoa quer transmitir, tomar consciência da informação que se escuta afim de entender os sentimentos que a pessoa está a dizer e fazer para conseguirmos de alguma forma entender toda a história por de tras daquela(s) pessoa(s) e agir de acordo com os nossos principios. Ter a percepção de que ninguém a não ser nós próprios, pode deitar-nos abaixo. Temos de fazer essas escolhas. Cuidar-mos das nossas emoções e dos nossos pensamentos e o que não nos enriquecer deixar fluir. O mundo nunca foi como queriamos e é por isso que a empatia é essencial para nos inspirar e requer o máximo de nós próprios a fim de conseguirmos lidar conosco e com a nossa sensibilidade para comunicar com quem nos rodeia.

Uma amiga minha trabalha numa empresa de uma cadeia famosa de supermercados onde vendia produtos frescos e biológicos e questionava-me porque é que não conseguia vender os produtos de forma exemplar. Ficava deprimida e com receio de ser despedida. Expliquei lhe que a melhor forma de ela ter sucesso era através da empatia. Se ela usasse esse talento que tem com os amigos, nos seus clientes e preocupar-se com eles, fazendo perguntas, "o que queria", "o que gostava", "o que lhe trazia por aqui" e dando a devida atenção e importância, acabava por satisfazer as necessidades dos seus consumidores, o que levaria a que comprassem o produto pelo carinho e prestação que ela lhes dava. A compaixão era maravilhosa dizia-me ela. Sorriso encantador e um brilho que dava para ver à distancia. É certo que com estas informações garantiu-lhe mais um ano de contrato e estava felicíssima com as suas capacidades e conseguiu que se tornasse mais generosa e humilde. Os clientes estavam radiantes com o seu jeito de ser. 

Outro exemplo para explicar a importância da empatia, vou falar da experiência que se passou no ambiente de trabalho de uma grande amiga minha licenciada em ciências da saúde. Ela queixava-se frequentemente sobre o desgaste emocional quando chegava a casa depois de atender uma média de sessenta clientes por dia. Não compreendia onde poderia estar a raíz do problema. Questionei-lhe sobre o que sentia enquanto trabalhava e respondeu-me freneticamente que era uma pessoa empática e que adorava o que fazia pois compreendia as dores dos outros e isso satisfazia o seu desejo de ajudar os seus clientes e a tornar o mundo mais acessível. Comecei por explicar que a empatia é uma grande capacidade que requer muita compaixão pelo outro mas é preciso uma certa integridade para que a dor dos outros não nos afecte. É preciso auto-confiança no que se está a fazer, isto é, na capacidade de domínio de lidar com os outros e consigo mesma, de gerir as suas próprias emoções e tambem ter consciência que as dores dos outros não são nossas. É preciso ter uma certa precepção no mundo que nos rodeia e termos a perfeita noção daquilo que somos e daquilo que fazemos. 

Para explicar a importância da integridade com a empatia nas relações sociais, vou relatar exemplos que me aconteceram recentemente e que nos ajuda a ter consciência e compreensão para que possamos desenvolver cada vez mais estas faculdades mentais.Recentemente numa aula sobre empreendorismo e comunicação assertiva onde falamos de aspectos relativamente às competências interpessoais, a professora estava a explicar que a empatia pode ter armadilhas quando interagimos com os outros. A empatia pode ser usada como meio de manipulação e conquista, dizia a professora. E ela estava certa no que dizia. Quando queremos conquistar alguém, procuramos instintivamente os interesses sobre essa pessoa para poder encanta-la. Esse instinto que a maior parte das pessoas usam é a sua capacidade de empatia que têm com os outros. O mesmo se passa com os manipuladores e castradores que querem a nossa atenção. Eles limitam-se a usar a sua empatia para procurar informações e interesses para poder usar para os seus fins. Eu chamo a essa capacidade de "falsa empatia", é como se usasse só parte dela. Para saber lidar com estas artimanhas precisamos da nossa integridade pessoal e da nossa auto-confiança para sabermos o que realmente queremos e que necessidades precisamos para que nao nos deixem enganar. 

Outro exemplo que me aconteceu foi com um amigo e formando da nossa turma. É uma pessoa com valores muito rigidos, centrado nos seus domínios pessoais e não deixa que ninguém o explore a não se que o faça voluntáriamente. É uma pessoa dificil caráter e com opiniões bastante marcadas pelo seu percurso de vida. Quando discorda com alguem tende inconscientemente a ser agressivo na maneira com fala provocando grandes frenezins. Para uma pessoa, receber estas discuções é doloroso e se a pessoa não tiver controlo das suas emoções tende a responder de forma espelhada à outra pessoa. A integridade acaba por ajudar na gestão das emoções e na auto-confiança para que não seja moralmente humilhado nem insultado. Termos a capacidade de resiliência para não compactuar com as agressões psicologicas do outro e sair quando o momento for oportuno. 

Na neuropsicologia esta habilidade tem duas componentes: uma cognitiva (relacionada com a capacidade para compreender os processos mentais das outras pessoas) e uma emocional (reação perante o estado mental de outra pessoa). Actualmente acredita-se que os neurónios-espelhos foram um componente essencial no desenvolvimento da capacidade social e comunicativa do ser humano.Os neurónios-espelhos estão associados à "teoria da mente", a capacidade que temos em averiguar o que a outras pessoas estão a pensar e quais as suas intenções. Compreendemos os estados mentais das outras pessoas simulando-os no nosso cérebro para poder empatizar com quem se relaciona connosco. Em suma, a empatia acaba por ser uma capacidade comunicativa e social que possuímos para compreender as emoções dos outros e partilha-las. Requer algum esforço para lidar com esta habilidade e para poder usar-la é preciso uma certa compaixão, integridade e resiliência. É crucial numa interação social adaptativa e uma componente essencial na inteligência emocional. É uma faculdade mental que se desenvolve e é essencial na nossa sobrevivência e nosso bem estar.