Transtorno Alimentar Compulsivo

Uma coisa que me intrigou bastante e me levou à curiosidade foram algumas pessoas que têm a necessidade de ingerir uma enorme quantidade de alimentos num determinado tempo e que não têm o mínimo controlo sobre o quanto comem. Conheço uma amiga que tinha esse transtorno. Explorei e analisei cuidadosamente os acontecimentos que lhe ocorriam no seu dia-a-dia. Começei por perguntar sobre quantas vezes ela comia e o que fazia em relação a isso. Começei por descobrir que ingeria mais ou menos de duas a três vezes por semana num período de seis meses e sem recorrer a mecanismos de defesa, como é o caso da auto-consciêncialização, isto é, não está ciente das suas atitudes nem das suas proprias escolhas, nem recorria a vómitos induzidos. Na altura pesquisei nas mais variadas plataformas sobre esse transtorno e cheguei a conclusão que é um resultado de um conflito psíquico, uma luta subjetiva entre duas funções opostas, estando a pessoa impossibilitada de escolher. Por se tratar de um comportamento compulsivo, os pensamentos e as atitudes que ela realizava, pareciam-lhe estranhas e desconhecidas e de uma força incontrolável.
Procurando as soluções para estes problemas e pelo meu fascínio pela mente humana o problema poderia surgir de varias formas mas de uma maneira geral, poderíamos associar a problemas afectivos e emocionais, tanto na vida pessoal como profissional relacionados à sua imagem, ao controle de peso e à sua auto-estima. A partir dessa insatisfação e da falta de controlo sobre o próprio corpo, ocorria um movimento inverso: ela passava ao uso indiscriminado de alimentos, como forma de resolver estes problemas emocionais.

Ainda estava a estudar e eu não podia ajudar dado que ainda não me tinha profissionalizado, tentei procurar ajuda no meio de professores e profissionais. Consegui encontrar uma plataforma online onde uma Doutora disse mais ou menos o seguinte:

"Os transtornos alimentares desenvolvem-se a partir de uma combinação de fatores físicos, psicológicos, bioquímicos, genéticos e sociais e muitas das vezes, não existe estabilidade nos processos químicos dos neurotransmissores no cérebro que regulam o apetite e o desejo por comida. O objetivo principal do corpo clínico é identificar as causas subjacentes ao transtorno e restaurar uma abordagem saudável para que o paciente seja capaz de levar uma vida normal. Para alcançar este objetivo, o tratamento deve englobar corpo, mente e espírito. A recuperação do transtorno alimentar inicia-se na identificação dos principais fatores psicológicos que desencadeiam o comportamento compulsivo e a perda do controle em comer. A terapia cognitivo-comportamental tem demonstrado maior efetividade no tratamento nas causas do transtorno alimentar e também na obesidade porque o seu foco está na mudança de padrões de crenças e pensamentos disfuncionais da pessoa em relação à comida."

Com esta informação que a Doutora me forneceu, expliquei-lhe o que se tratava e consegui encontrar uma solução para o problema. Direccionei-lhe para uma clínica onde pudesse fazer a terapia cognitivo-comportamental onde aprendeu a distinguir os seus pensamentos, os seus sentimentos e a própria realidade. Por exemplo, a minha amiga pensava muitas das vezes: "Eu sinto que nunca serei capaz de emagrecer" e isso reflectia-se nos seus comportamentos por se tratar de pensamentos automatizados e não de verdadeiros sentimentos. Ela analisou as suas proprias experiências com as proprias mudanças de humor para assim tornar-se consciente da maneira como os seus pensamentos influenciam os seus sentimentos. Aprendeu a distinguir a veracidade dos seus pensamentos automáticos e das suas crenças, considerando os factos, a realidade, as explicações alternativas e a conduzir experiências comportamentais informais. E por ultimo, desenvolveu habilidades para perceber, interromper e intervir ao nivel dos pensamentos automáticos e como eles atuam para assim conseguir modificar processos cógnitivos habituais. Com estas ferramentas conseguiu evoluir enquanto pessoa e melhorou significativamente o seu bem-estar estando ciente das suas proprias escolhas.