Intuição

Para dar seguimento ao meu artigo sobre a nossa consciência emocional, hoje vou falar de uma habilidade que todos temos e que podemos explorar de uma forma prática diariamente.

Tudo começou numa aula sobre técnicas de Marketing onde a formadora desafiou-me a responder à minha análise SWOT, uma ferramenta de auto-conhecimento, onde somos desafiados a falar sobre nós próprios, quais são as nossas qualidades, as nossas fraquezas, as oportunidades que temos pela frente e as ameaças que devemos aprender a lidar. No meio do meu discurso disse que caracterizava-me como uma pessoa intuitiva na maneira como trabalho e comunico mas senti que não tive a concentração necessária para fazer compreender toda a turma, pois não tinha planeado correctamente o meu discurso e isso fez-me reflectir o porquê de eu estar a escrever este artigo sobre a intuição.

A intuição é uma qualidade pessoal que não requer conhecimento nem informação adquirida para usufruir dela. É uma competência de excelência que está a ser reconhecida como uma faculdade mental, um elemento-chave na descoberta, na resolução de problemas e na tomada de decisões onde é necessário identificar (o quê) e aprender (como) a valoriza-la no nosso dia a dia. No mundo espiritual é considerado um sexto sentido que utiliza a nossa precepção humana, isto é, a nossa consciência para explorar a ligação entre a realidade com o mundo espiritual e que reforça a qualidade dos relacionamentos com as outras pessoas.

Segundo o dicionário da Língua Portuguesa a intuição é descrita como uma precepção instintiva. Conhecimento imediato. Pressentimento da verdade. 

É uma ferramenta que ajuda-nos de facto na sobrevivência da nossa espécie onde desperta um certo mecanismo empírico de alerta para os perigos onde somos levados pela nossa consciência. Um exemplo que referi no artigo de consciência emocional foi como a nossa consciência atua e comunica positivamete no nosso bem estar e como ajuda a superar os obstáculos. Nesse aspecto e perante as dificuldades e os imprevistos são necessárias as competências e os recursos que nos permitam fazer a gestão das nossas emoções (auto-consciência emocional) e dos nossos problemas. É através deste processo que adquirimos auto-dominio e auto-controlo. 

Ora vejamos, quando trabalhava numa empresa de metalurgica observei que havia uma dificuldade em lidar uns com os outros por falta de comunicação e de empatia. O gestor de recursos humanos não era eficiente na maneira como lidava com a sua gestão de tempo nem sabia lidar com as suas próprias emoções, o que atrasava e dificultava os trabalhadores. Era preciso uma reestruturação na forma como se trabalhava, mas a grande dificuldade era compreender a raíz do problema. Comecei por analisar como o gerente atuava. Era arrogante e autoritário. Não se abria nem explorava as informações que adquiria com os restantes funcionários e pedia sempre aos outros para fazer as suas tarefas. O gestor não sabia lidar com a pressão e era muito dependente do gerente e transmitia sempre muito receio que algo corresse mal. Para resolver estes problemas era preciso dominar a intuição para conseguir ter uma melhor precepção e consciência da realidade para expor ideias criativas e ter melhores resultados nos desafios prepostos.


Com que frequência recorre à sua intuição para avaliar o seu dia-a-dia quer na gestão das suas emoções, nas suas escolhas, nos conflitos ou até mesmo nas relações com as outras pessoas? 

Para praticar e investir na intuição e usá-la no trabalho e no nosso dia-a-dia é preciso valorizar a honestidade emocional, isto é, compreender verdadeiramente o que estamos a sentir. Também é preciso respeitar os sentimentos dos outros e saber lidar com eles, colocando-se no lugar deles. É preciso questionar, avaliar e analisar os nossos comportamentos e os comportamentos dos outros pois a empatia é importante para aprimorar a intuição. Outro factor e que nos ajuda a investir nesta competência é o facto de treinar-mos os nossos pressentimentos e percepções de determinadas situações, convicções e suposições. Termos a consciência de nós mesmos e praticar o dialogo e a introspecção, como por exemplo, meditações, auto-criticas, orações e auto-afirmacões.Uma das falhas do nosso desenvolvimento pessoal está na exploração dos nossos erros e das suas falhas. Treinar a imaginação e a criatividade e procurar por novos caminhos e soluções também são ferramentas benéficas para desenvolver as nossas competências pessoais e treinar a nossa intuição. A escuta-ativa também é muito importante, ouvir para além das palavras, poder sentir e compreender o que a pessoa está realmente a dizer e não tirar conclusões precipitadas baseado em preconceitos ou estereótipos e se não entendemos algo, devemos perguntar.Estes factores são ingredientes bastante importantes numa cultura organizacional e servem também de guia para a nossa vida quotidiana. Durante esta semana dê especial ênfase à sua intuição, acredite e confie mais no seu poder.